22 de fevereiro de 2017 Comentários (0) Cicloturismo

Criança de 2 anos realiza cicloviagem

Descobertas sobre duas rodas: Casal leva filha para viagem de bicicleta e acampamentos no Uruguai. Um relato de Fernando Fernando Biagioni.

Meu nome é Fernando Biagioni, tenho 32 anos, sou fotógrafo e filmmaker e pedalo há quase 31 anos. Minha mãe me disse que aprendi a girar o pedal do velotrol antes de conseguir ficar em pé. Minha esposa se chama Carol Kurowsky, é designer de moda e nos conhecemos na Itália em 2009 onde moramos por 5 anos. Naquele mesmo ano, com nossas bicicletas antigas singlespeed fizemos nossa primeira cicloviagem juntos pra ilha de Elba. A bicicleta sempre fez parte do nosso dia a dia, tanto pra ir ao supermercado quanto para viajar ou ir pra balada.

Desse relacionamento, nasce Maya que, com 2 meses, já dava umas voltinhas de bicicleta dentro daquelas mochilas canguru. Depois que ela completou um ano, já ensaiávamos alguns passeios de bicicleta com ela em trilhas por onde moramos, mas a primeira cicloviagem dela só aconteceria quando ela tinha 1 ano e meio.

Fomos para o Caraça, um santuário aqui em Minas Gerais. Foi um teste pra viagem para o Uruguai que já planejávamos há seis meses. Queríamos ver como ela se sairia um dia inteiro com bicicleta.

Escolhemos o Uruguai por duas razões, já conhecíamos o país por outras viagens (de carro), e quando estivemos lá sempre víamos muitos cicloturistas pelas estradas. A segunda razão, foi pela segurança e educação dos motoristas, completamente diferente do que estamos acostumados pelas estradas do Brasil.

A preparação levou cerca de 1 ano. Pela internet, procurei tudo que existia sobre cicloturismo com crianças. Li todos os relatos de cicloturistas pelo Uruguai, o que ajudou bastante na criação da rota. Foram 22 dias de Montevideo à Punta del Diablo e voltando, parando por lugares que não paramos na ida.

A escolha do trailer foi pelo conforto pra ela. Ali ela dormia, brincava, fazia tudo. Além da proteção contra vento/pedras etc. Equipei ele com um camelbak de 3 litros e ela tinha tudo ali dentro. Com sinceridade, um trailer de uma roda tipo o Tout Terrain seria perfeito mas não existe representante no Brasil e a importação dele ia sair bem salgada então fomos com o melhor que conseguimos aqui. Carol levava as roupas e comidas nos alforges da bike dela e eu levava na minha bicicleta o fogareiro, panelas e todas as ferramentas pra bike/câmara de ar em uma bolsa que ela criou. No guidão, levei a barraca e os sacos de dormir iam no teto do trailer.

O incrível foi que Maya deu menos trabalho na viagem do que em casa. Estar com o pai e mãe o tempo todo a deixava bem tranquila e não reclamou nenhum dia da viagem. Foi excelente pra nos unir ainda mais e decidir as coisas sempre juntos. No fim da viagem ela ja falava Hola e Gracias por conta própria.

Como mineiro sou, foi só no dia de partir que subi o site pro ar e aí sim, muita gente achou que tinha sido coisa de última hora, mas já planejávamos há bastante tempo. A família já sabia e deu todo o suporte necessário. Acho que realizamos parte dos sonhos deles também.

Passamos por lugares incríveis, Cabo Polonio onde não tem luz nem encanamento, é uma vila de pescadores onde so se chega depois de atravessar uns 7km de dunas, é uma reserva de lobos marinho e parece ser um daqueles lugares esquecidos no tempo onde menos é mais.

Mas acho que o mais bacana da viagem foi fazer a travessia da Laguna de Rocha onde carro não passa e pedalamos sem ver nenhuma pessoa por um bom tempo. Ali parecia que só existia a gente no mundo e uma estrada sem fim. Quando a maré está alta, a e água do mar passa por cima do banco de areia e se junta a Laguna formando uma coisa só. Pra atravessar a Laguna, ou você atravessa empurrando a bike pela areia com a maré baixa, ou liga pro Pepe, um pescador que descobri na internet, e ele vem te buscar do outro lado. Ali parecia que estávamos conhecendo o verdadeiro Uruguai, o extremo oposto da ostentação de Punta del Este.

Outro lugar foi o camping El Cocal que tem uma área de 12 hectares no meio do mato, bem próximo a praia. Ali o silêncio era absoluto e novamente parecíamos ser os únicos ali. Se não fosse pela bicicleta, talvez nunca passaríamos por esses lugares. Ela te permite ir onde nenhum outro meio de transporte te leva. Ela te permite parar onde quiser e ela vai no seu ritmo.

Nos perguntaram se, no segundo dia, nossa filha quisesse ir embora, não estivesse curtindo, o que faríamos. Acho que isso nunca passou pela nossa cabeça. Se quando ela estiver mais velha ainda gostar de pedalar e acampar, aí acho que cumprimos nosso papel.

Vale acrescentar que a gente ia bem no ritmo da Maya. A gente parava em todo parquinho que via e sempre que ela queria. Acho legal as pessoas saberem. A gente começou a página porque não achamos quase nada sobre cicloturismo com crianças em português e nós conhecemos pessoas que tem filhos e que acham impossível fazer uma viagem assim, quando na verdade o mais difícil é sair de casa. Respeitando o ritmo dela, conseguimos sem problemas. Que sirva de incentivo pra outros pais.

Mais detalhes desta aventura, que faz parte do projeto intitulado Bicicli.co, que pode ser acompanhado pelos seguintes canais:

Site: http://bicicli-co.tumblr.com/

Instagramhttps://www.instagram.com/bicicli.co/

Facebook: https://www.facebook.com/bicicli.co/

Galeria de Fotos:

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